Por:Lisane Capitani
O Assentamento Contestado, localizado no município da Lapa (PR), celebrou no dia 7 de fevereiro de 2026 seus 27 anos de história, luta e organização coletiva. A programação reuniu cerca de 1.000 pessoas entre famílias assentadas e acampadas da Reforma Agrária, educadores, estudantes, pesquisadores, parceiros institucionais e visitantes da cidade.
Construído a partir da resistência camponesa e da organização das famílias, o Contestado consolidou-se ao longo de quase três décadas como referência regional na produção agroecológica, na educação do campo e na defesa da soberania alimentar. A celebração reafirmou essa trajetória e projetou os desafios para os próximos anos.

Imagem Aérea da sede da comunidade Contestado. Foto: Wellington Lenon/MST-PR
Seminário foi o ponto alto da programação
A atividade central do aniversário foi o seminário “Agroecologia e Soberania Alimentar: caminhos para o desenvolvimento sustentável do campo”, realizado com patrocínio da Itaipu Binacional. O encontro promoveu debate e reflexão sobre os rumos da produção de alimentos, os impactos do modelo agrícola convencional e as alternativas construídas a partir da agroecologia.
O palestrante convidado foi Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo e integrante da coordenação do Fórum Gaúcho de Combate aos Agrotóxicos. Reconhecido nacionalmente pelo debate sobre modelos produtivos e soberania alimentar, Melgarejo destacou a importância da Reforma Agrária e da produção agroecológica como estratégias fundamentais para garantir alimentos saudáveis, justiça social e preservação ambiental.
A participação do público foi expressiva, com intervenções, perguntas e troca de experiências entre agricultores, estudantes e visitantes urbanos.

Leonardo Melgarejo no Seminário. Foto: Wellington Lenon/MST-PR
Programação integrou cultura, produção e confraternização
Ao longo do dia, a programação contou com acolhida e café comunitário, mística de abertura, falas das lideranças e almoço agroecológico coletivo. Também foram realizadas caminhada pelos espaços do assentamento, feira de produtos da Reforma Agrária, apresentações culturais e torneio de futebol com equipes da região.
A feira destacou a diversidade da produção local, com hortaliças, panificados, conservas e outros alimentos cultivados sem uso de agrotóxicos. A proposta foi aproximar consumidores urbanos das famílias produtoras e valorizar o papel da agricultura familiar na segurança alimentar.
O evento foi encerrado com música ao vivo, atividades para as crianças e o tradicional momento do bolo comemorativo, reforçando o caráter comunitário da celebração.

Bolo de Aniversário de 27 anos do Contestado. Foto: Wellington Lenon/MST-PR
Organização coletiva marcou a celebração
A festa foi organizada pela Associação Agroflorestal Contestado (AACON), com apoio da Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária do Assentamento Contestado, da Cooperativa Terra Livre, do Armazém do Campo, do Núcleo da Rede Ecovida Maria Rosa, da Escola Latino-Americana de Agroecologia (ELAA) e das escolas do campo.
A preparação envolveu contribuição direta das famílias assentadas, com doações de alimentos, trabalho voluntário e organização da estrutura, reafirmando o princípio da cooperação que marca a história do território.
Para o presidente da AACON, José Antonio Rocha de Macedo, a data representou mais do que uma comemoração. Segundo ele, os 27 anos simbolizaram a resistência, o trabalho coletivo e a convicção de que a Reforma Agrária, aliada à agroecologia, construiu um caminho viável e sustentável para o campo.
Reconhecimento e projeção de futuro
A celebração também ganhou relevância institucional com a tramitação do Projeto de Lei nº 17/2025, que propôs a inclusão do aniversário do Assentamento Contestado no Calendário Oficial de Eventos do Município da Lapa, reconhecendo sua importância histórica, social e produtiva.
Ao completar 27 anos, o Contestado reafirmou seu compromisso com a produção de alimentos saudáveis, com a preservação ambiental e com a construção de um projeto de desenvolvimento rural baseado na justiça social e na organização coletiva.
Mais do que recordar o passado, a festa consolidou o assentamento como espaço vivo de formação, produção e diálogo entre campo e cidade.
*Texto editado por: Wellington Lenon
Confira as fotos: Wellington Lenon/MST-PR






